Ambivalências de práticas espaciais auto-organizadas em disputas pela democratização da produção do espaço

Lígia Milagres

Resumo


Este artigo tem por objetivo discutir as ambivalências de práticas espaciais auto-organizadas em situações de disputa pela democratização da produção do espaço urbano. Tendo em vista o papel dessas práticas na construção de uma democracia urbana radical, o texto analisa o processo de decisão sobre o espaço do antigo aeroporto Tempelhof (Berlim). São postos em relevo, para esse caso, alguns aspectos do conflito entre práticas auto-organizadas e planejamento institucional no contexto neoliberal. Conclui-se que, apesar dos entraves, essas práticas contribuem para ampliar as condições de discussão, decisão e ação coletiva de moradores urbanos. A análise desse tipo de conflito pode informar a crítica do planejamento urbano, assim como a imaginação de processos e instrumentos que facilitem a expansão do campo de ação dos moradores urbanos.


Palavras-chave


planejamento urbano; auto-organização; processos de decisão; democracia radical; espaço cotidiano.

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REVISTA BRASILEIRA DE ESTUDOS URBANOS E REGIONAIS - ISSN 2317-1529 (eletrônico) e 1517-4115 (impresso)

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